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≫ Coleção Xingu

 

Na cosmologia Waurá há uma presença permanente e ampla de seres extra-humanos que remonta ao tempo em que os animais eram gente e falavam. Um dos princípios em que se baseia essa presença é o elo contínuo entre os apapaatai/yerupoho e os animais, que atinge os Waurá cotidianamente, sobretudo, através de seu sistema alimentar e das teorias do adoecimento e do sonho.

Nos primórdios dos tempos, uma absoluta escuridão reinava sobre o mundo. Na superfície da terra viviam os yerupoho, seres antropormofos ou zooantropomorfos, e os humanos (os antepassados dos Waurá) viviam dentro dos cupinzeiros, na mais absoluta penúria de bens culturais: fogo, panelas, cestos, comidas etc.

Dizem os Waurá, que o corpo de um yerupoho é constituído de ixana, feitiço, portanto a convivência destes com o humanos em um mesmo espaço horizontal era impossível, restanto aos humanos apenas a possbilidade vertical: viver no subterrâneo.

Nós humanos não temos fácil aos seus corpos e nem devemos ter, pois eles são mortais ou patogênicos para nós.

Num certo dia os yerupoho ouviram anunciar que Kamo (Sol) foi à procura de uma “máscara” (Kamo mohãjãjãá já jopaka, “máscara facial vermelha de Kamo”), que o fizesse aparecer definitivamente no céu. Kamo arremessou-se com a “máscara vermelha” ao céu e a aurora lentamente se fez. Kejo o seguiu mais tarde, vindo a se tornar o astro lunar, também por meio de um mascaramento, que dividiu o tempo em dois: o antes e o depois do ciclo dia-noite. Apavorados com a iminente mudança cósmica, os yerupoho lançaram-se num frenético trabalho de criação de indumentárias, máscaras e pinturas protetoras contra as ações deletérias e transformadoras irreversíveis do sol. Os yerupoho criaram indumentárias extremamente diversificadas, que na verdade não eram simples "roupas" (nai) protetoras. Ao vestí-las, assumiram a identidade da "roupa" e tornaram-se apapaatai: uma realidade ontológica que se perpetua desde então e que corresponde às diversas classes de animais vistos cotidianamente pelos Waurá.

 

Segundo o povo Waurá, o Yerupoho é um correspondente antropomorfo de uma dada espécie animal, e seu corpo é uma unidade formal singular e prototípica para aquela espécie. Seu corpo não muda, exceto se forem expostos ao sol. O que muda são suas aparências, as "roupas" que eles vestem. Os apapaatai onai são as roupas sobrenaturais, ou melhor yerupoho vestidos em "roupas", estes são espíritos que possuem corpos, na grande maioria das vezes, vivem no extremo fundo das lagoas e rios.

Em um estado de multiplicidade as almas dos yerupoho são espírito-animail-monstros, apapaatai, portanto.

Tal estado de multiplicidade corresponde igualmente a um estado de multiplicidade das "roupas". As "roupas" são formas-padrão de como os yerupoho manifestam-se nos sonhos e transes dos yakapá (aquele que corre semiconsciente para resgatar almas) e nos rituais. Esta á condição dos yerupoho serem vistos, para disfarçar a fealdade de seus rostos e corpos, sendo invisíveis aos sentidos normais humanos.

 

Fonte: Aristóteles Barcelos Neto. ISA.

 

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Yerupoho | Waurá

SKU: yerupoho-waura
R$675.00Price
  • Cerâmica de origem Waurá.

    Composição: cerâmica tingida.

    Dimensão: 25 cm larg x 27 cm alt.

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